
Um passeio rápido pelos arredores da Praça Maior e a Porta do Sol em Madrid e uma visita aos centros históricos de muitas cidades da Comunidade de Madrid, podem salvar-nos de mais de um apuro: encontraremos aí um obséquio para os nossos amigos e parentes.
Na Rua Maior há comércios que se dedicam à venda de artigos religiosos, além de velas e cerâmica tradicional, e se no nosso círculo de amigos existir algum amante do toque, já temos o presente perfeito: um violão com a marca de Félix Manzanero, um dos melhores artistas no fabrico de instrumentos musicais de corda.
Existem também aqueles, do mesmo modo que na casa de violões de Manuel Contreras, de todos os preços, superando 6.000 euros, mas sempre podemos sair destes estabelecimentos com uma guitarra de custo mais acessível, ainda que com os requisitos mínimos de qualidade.
Os menos pujantes podem contentar-se com a possibilidade de sonhar graças a um décimo da Lotaria Nacional adquirido numa das administrações de lotaria mais famosas de Espanha, Doña Manolita, e despedir-nos de Madrid com o bom sabor dos Rebuçados Paco e as doces lembranças de La violeta.

São herdeiros do quotidiano, durante muitos anos foram o sustento de boa parte da economia, mas o devir dos tempos e os mecanismos da produção em série legaram aos artesãos a uma plataforma residual.
Na nossa região ainda persistem estabelecimentos onde se oferecem produtos "de outra época", como xales, capas espanholas, bastões trabalhados, e inclusive fatos de toureiro. Ao passear pela rua Jardins, perto da Porta do Sol, podemos deparar-nos com o Atelier da Mestra Nati.
Pelas mãos de Natividad de Frutos passaram "trajes de luzes" e todos os acessórios que requerem. Nestes comércios artesanais, o ofício é transmitido de pais a filhos e, neste caso específico, à frente do atelier estão a filha e o neto de Natividad, a primeira mulher que vestiu um toureiro, algo que era exclusivo aos homens.

De ébano, caoba, marfim... na Casa Mier lavram-se cabos de bastões em qualquer material. Os descendentes de Manuel Mier de Miguel continuam a fabricar bastões que acabam como peças de colecção, que rivalizam em prestígio com as capas espanholas confeccionadas na Capas Seseña.
É uma das peças mais distinguidas e ainda que caíram no esquecimento, em Madrid continuam a serem elaboradas graças ao empenho do alfaiate Santos Seseña, que em 1901 pôs este negócio em funcionamento e desde então produziu capas que acabaram inclusive em mãos de Gary Cooper, Federico Fellini e Catherine Deneuve.
E se a capa evoca o frio invernal, o leque traz à mente a sensação de um calor intenso. Se quisermos presentear com um destes objectos tipicamente espanhóis, a Casa Diego possui um variado mostruário de leques, desde os mais simples até os decorados com refinamento e detalhismo. Mais de 175 anos de profissão dão-lhes o aval, quase seis gerações do leque, quase o mesmo número dos dedicados na favorita em criar chapéus e boinas, além de cartolas e chapéus de feltro.
Não podemos esquecer-nos das feiras e mercados ambulantes que permeiam toda a cidade. O mais representativo é El Rastro, onde em cada domingo podemos encontrar de tudo, mas cada bairro conta com o seu próprio, como no caso do Mercado de Tetuán, em Marquês de Viana. Também existem outros mais específicos, como o de filatelia e numismática que se levanta em cada feriado sob os arcos da Praça Maior.
E nesta linha, na Praça Conde de Barajas, nos domingos abre-se a veia do coleccionismo de pintura, e todo os sábados, o melhor artesanato da região expõe-se na Praza das Comendadoras. Os livros desde sempre podem ser encontrados nos postos da Ladeira Moyano, perto do Passeio do Prado e da Estação de Atocha. Como podem ver, em Madrid não nos escapa nenhum detalhe.
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